Classificada pela UNESCO como Paisagem Cultural e Património da Humanidade – durante a 19ª Sessão do Comité da UNESCO, ocorrida em Berlim a 6 de Dezembro de 1995 -, Sintra é um daqueles lugares mágicos onde a natureza e o homem se conjugaram numa simbiose perfeita, como que a quererem deixar-nos surpreendidos, rendidos à beleza da obra. É essa beleza e memória colectiva legada pelos nossos antepassados, que nos compete preservar e completar, para que as gerações vindouras possam encontrar aqui, tal como nós, as raízes culturais e os valores humanos tão importantes para a vivência e convivência harmoniosa dos povos.
Testemunho da passagem de muitos povos e culturas ao longo dos tempos, que sempre souberam respeitar os vestígios que os outros deixaram, a expressão que melhor classifica Sintra no seu todo é, por certo, a tolerância cultural. É essa tolerância cultural que pretendemos preservar e fomentar. Respeito pela diferença, seja ela artística, estética, filosófica ou étnica; respeito pelo ambiente, procurando uma harmoniosa coabitação entre o Homem e a Natureza; respeito pelo património monumental que é o espelho máximo dessa tolerância entre culturas, sabendo que a nossa riqueza e modus vivendi residem, precisamente, nessas raízes tão diversificadas e pluralistas. A magia dos cenários naturais e a memória da passagem do Homem por Sintra, as brumas misteriosas, os jogos de água e verde, traduzem uma ambiência poética muito própria, talvez única, transformando Sintra num local de grande apetência artística. E para realçar essa capacidade inspirativa do lugar, Sintra é hoje palco de várias iniciativas onde a arte se integra e se funde com a paisagem. É o caso do Festival de Música de Sintra, a transportar a música clássica para espaços ao ar livre, possibilitando uma relação íntima e recíproca entre o artista, o público e a natureza. Na mesma linha, mas aqui aliando à música a coreografia, surgem as Noites de Bailado, no esplendoroso cenário dos jardins de Seteais. Misto de magia, cor e movimento que nos arrebata para o mundo transcendente do sonho. Mas, em Sintra, outras manifestações se realizam, nesta perspectiva de acordar um local cheio de memória e transformá-lo num espaço de cultura viva. São as diversas recriações históricas, as múltiplas exposições de pintura, de escultura, de artesanato, de fotografia, o Festival de Teatro que tanto tem impulsionado e incentivado a arte de representar na nossa região; a par da realização de vários congressos, colóquios e ciclos de conferências, a colocarem Sintra como um dos locais de maior dinamização cultural. Por tudo isto, acrescido dos bons ares, da hospitalidade das gentes, das praias saudáveis do Atlântico e de uma cultura viva e constante, Sintra ainda é, como a considerou Robert Southey nos finais do século XVIII, «o mais abençoado lugar de todo o globo habitável».
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