Localização
Quinta da Bela Vista, freguesia de Colares.
Memória descritiva
Implantada sobre um cume não muito elevado da vertente Norte da Serra de Sintra, com excelente domínio de paisagem sobre a plataforma calcária que se estende mesmo para além da foz da Ribeira de Colares, encontra-se a sepultura pré-histórica da Bela Vista. O monumento foi construído sobre um caos de blocos de granito e integra, parcialmente, afloramentos rochosos na estrutura. Assim, a planta composta por câmara circular e corredor, comum aos tholoi calcolíticos, aproveitou as condições naturais existentes no terreno, tendo sido usados muros de lajes delgadas para revestir e preencher as aberturas naturais existentes entre os blocos. Toda a construção está coberta por uma enorme pedra que dificilmente teria sido transportada pelo homem, pelo que se supõe já permanecer nesta posição quando o pequeno abrigo natural foi transformado em espaço de enterramento. Existem vestígios no terreno da estrutura tumular primitiva, nomeadamente das aglomerações pétreas que faziam parte da mamoa. Durante a escavação foi possível distinguir três camadas, correspondendo a mais profunda à mais antiga ocupação documentada, ou seja, à fase final do Calcolítico caracterizada pela presença de cerâmica campaniforme e que corresponde à construção deste espaço sepulcral colectivo. Além da cerâmica lisa, foram recolhidos fragmentos de seis vasos campaniformes e cinco taças tipo Palmela com decoração incisa e pontilhada. De entre o restante espólio associado aos enterramentos salientam-se, exceptuando os recipientes cerâmicos, as lamelas, lâminas, raspadeiras e lascas de sílex, os artefactos sobre quartzo, o machado de pedra polida de secção circular, as contas de pedra verde e âmbar, o botão de osso, a ponta de cobre tipo Palmela e a espiral de ouro. Indirectamente documentados pelas oferendas funerárias, dos enterramentos restam ainda alguns ossos e dentes humanos. Ao mesmo contexto pertencem os restos faunísticos, mamalógicos e malacológicos exumados.
Memória histórica
O monumento pré-histórico da Bela Vista foi identificado na década de 50 deste século. Em 1957 procedeu-se à primeira intervenção arqueológica no sítio através da abertura de uma vala de sondagem, que evidenciou tratar-se de uma sepultura pré-histórica ocupada durante a fase final do Calcolítico. Apenas dois anos mais tarde foi possível escavar o interior do espaço funerário, nomeadamente a câmara e o corredor. Entre 1957 e 1959, esta sepultura colectiva foi objecto de uma violação que afectou significativamente a conservação dos contextos.
In "Sintra Património da Humanidade"
|