Localização
Serra de Sintra, freguesia de São Pedro de Penaferrim

Memória descritiva
No alto de um cume agreste da Serra, sobranceiro à Vila de Sintra, ergue-se dominador o antiquíssimo Castelo dos Mouros. O primeiro pano de muralhas deste albacar nasce um pouco acima da extinta Igreja Matriz de São Miguel, contornando irregular e vastamente a íngreme montanha. Porém, este troço encontra-se hoje parcialmente destruído. Mais próximo do topo, surge-nos o Castelo propriamente dito, pleno de majestade. Aí erguem-se várias torres, sendo uma delas de feição semi-circular, cujo acesso se processa através de cinco degraus de pedra. Devido à irregularidade do terreno, as muralhas do castelo foram, em certas zonas, edificadas sobre grandes penedos graníticos, facto que deveras contribuiu para os acentuados desníveis observados ao longo de todo o trajecto amuralhado, o que obrigou ainda à construção de longos e serpenteantes lanços de escadas. A porta principal da fortaleza inscreve-se num arco de volta perfeita, surgindo logo à esquerda uma cisterna abobadada, também medieval, que se impõe pelas suas dimensões e singularidade arquitectónica.
Memória descritiva
Acerca das origens do denominado Castelo dos Mouros – construído num rochoso pico da agreste serrania, sobranceiro à Vila de Sintra – pouco se sabe. Ainda que alguns autores remontem a sua fundação ao período visigótico, as primeiras provas documentais reportam-se já à época de plena ocupação muçulmana, concretamente ao século XI. Todavia, será lícito concluir que a edificação do Castelo se tenha verificado anteriormente, talvez no século IX. Em 1093, D. Afonso VI, Rei de Leão, tomou Sintra aos muçulmanos; dezasseis anos volvidos, Sigurd, príncipe norueguês, saqueou o castelo dos Mouros, que os muçulmanos entretanto haviam recuperado. Também, por essa altura e por breve tempo, o conde D. Henrique o possuiu. No entanto, em 1147, após a conquista de Lisboa levada a cabo por D. Afonso Henriques, o castelo entregou-se voluntária e definitivamente aos cristãos. D. Afonso Henriques confiou então a guarda da fortaleza a "trinta povoadores", que não eram mais do que uma mera guarnição, aos quais foram concedidos privilégios através de carta de foral, outorgada pelo próprio Rei, em 1154. Foi também para eles que se ergueu, no recinto amuralhado, a primitiva igreja de São Pedro de Canaferrim. No entanto, com o contínuo e firme avanço da Reconquista cristã para Sul, o Castelo dos Mouros foi perdendo a sua importância estratégica. Mais tarde, em inícios da Segunda Dinastia, a consolidação da nacionalidade, a estabilidade social e a reorganização do reino, conduziram ao abandono total da grande fortaleza. Neste contexto, logo nos começos do século XV transferiu-se a paróquia de São Pedro para a nova igreja edificada no termo da Vila. E, nos finais de quatrocentos, apenas habitavam o sítio do castelo alguns judeus, que aí permaneciam, segregados da comunidade, por ordem régia. D. Manuel I extinguiu os "grupo minoritários" e, na sequência dessa atitude, o Castelo dos Mouros despovoou-se por completo. Abandonada, a fortaleza sentiu a implacável passagem do tempo e foi-se arruinando. Estado que se agravou «(...) por causa do terramoto de 1755 (...); a maior parte dos muros deste Castello se demoliu em muitas partes» (Memórias Paroquiais, 1758). No século XIX, D. Fernando II aforou a velha fortaleza e procedeu ao seu restauro integral.
In "Sintra património da Humanidade"
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