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O MONTE DA LUA

   

 

Sintra é um daqueles paraísos terreais onde a mão divina se esmerou, esculpindo a Natureza de forma sublime, como que a querer deixar-nos surpreendidos, rendidos à beleza da Obra.

Sintra é um lugar para se sentir. Não basta falar dele, contar a sua História ou descrever a sua paisagem. É um lugar com espírito, um lugar que nos fala por dentro. O mistério que envolve a sua Serra, ou Monte da Lua; a densidade cromática da paisagem que nos surpreende, como se fosse uma grande tela colectiva; o mar inspirativo e sonhador; as suas lendas e tradições ancestrais; o seu povo peculiar, cuja hospitalidade e simpatia é reconhecida; enfim, tudo isto e muito mais onde as palavras não chegam, faz de Sintra o Glorioso Eden que Byron tão bem soube cantar.

Conhecida na Antiguidade Clássica como Monte da Lua, ou Promontorium Lunae, pela forte tradição dos cultos astrais ainda visíveis em inúmeros monumentos e objectos arqueológicos, a Serra de Sintra é um maciço granítico com cerca de 10 Km de comprimento que emerge, abruptamente, entre uma vasta planície a Norte e o estuário do Tejo a Sul, numa cordilheira serpenteante que entra pelo Oceano Atlântico até formar o Cabo da Roca, afinal a ponta mais ocidental do Continente Europeu.

Acarinhada e venerada pelo Homem ao longo da História, a Serra de Sintra apresenta hoje um conjunto fabuloso de monumentos das mais variadas eras, desde a Pré-História aos nossos dias, demonstrativo de um respeito ímpar e de uma enorme tolerância cultural, talvez a razão máxima que levou Sintra a ser consagrada Património da Humanidade.

Competindo com a diversidade monumental, há ainda a salientar a riqueza ambiental desta Serra. Graças ao seu micro-clima, aqui se encontram alguns dos mais belos parques de Portugal, plantados ao sabor romântico e também uma vegetação autóctone, densa e frondosa, que lhe dão um semblante majestoso no salpicado cromático de verdes. Assim, pode o visitante descer ao Neolítico pelo Tholos do Monge; desfrutar os horizontes nas muralhas do Castelo dos Mouros, construção militar árabe do séc. VIII; sentir a vera austeridade dos monges franciscanos no Convento dos Capuchos; deambular pelos mistérios do Palácio da Pena, edifício mítico-mágico que mais parece o prolongamento da própria montanha, e sensibilizar-se nos recantos doces do Parque da Pena, sítio de amor e exotismo onde transpiram uma grande paz e serenidade.
 



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