No próprio aro urbano e mesmo sub-urbano da Vila Velha de Sintra, muito poucos são os achados atribuíveis à época romana. A maior parte das descobertas pré-medievais remontam sobretudo ao Neolítico e ao Calcolítico, tendo-se inclusivamente chegado a duvidar durante muito tempo da existência de uma efectiva presença romana. Todavia, há já muitos anos, foi encontrado no Arraçário, por detrás do Paço Real, um carneiro votivo de bronze, de segura cronologia e fabrico proto-histórico - ou mesmo romano -, não sendo este achado, no entanto, suficiente para afastar as referidas dúvidas. Mais tarde, entre os materiais recolhidos nos silos da Rua Gil Vicente, um novo vestígio romano foi detectado, desta feita uma moeda imperial datada do século IV d.C.. Mas foram apenas os materiais exumados na campanha de escavações efectuadas sob o prédio sito à Rua das Padarias, nº 14, em 1985, que confirmaram, pela sua conservação in loco, a inequívoca ocupação romana de Sintra. Estes materiais exumados no prédio nº 14 da Rua das Padarias, por terem sido encontrados in loco, torna-os preciosos e releva-os para um plano de importância crucial. Saliente-se, dentre estes, um fragmento de travessa de Terra Sigillata Clara D, tardia, atribuível aos séculos V-VI d.C., uma moeda de provável cronologia situada nos finais do século IV - inícios do V d.C., duas pontas de fuso em bronze e alguns fragmentos de boca de ânfora, para além de um troço de muro, de aparelho irregular e parcialmente destruído, mas muito semelhante a outras estruturas postas a descoberto em estações romanas da mesma época sitas noutras áreas da região de Sintra.
|