A partir de 1820, João Carlos Gregório Domingues Francisco de Saldanha (1790-1876), neto materno do Marquês de Pombal, passou a estanciar em Sintra, quer porque a Corte, que frequentava assiduamente, aí permanecia então largas temporadas, quer porque se sentiu atraído pela beleza da região. Assim, em 1830, mandou construir, a caminho do Arrabalde, numa quinta implantada sobre altaneiro socalco da serra e à sombra do Castelo, envolta em densa e rica vegetação, uma casa de campo e capela, na qual passou parte da sua atribulada vida. A partir de 1834, o Duque de Saldanha realizou diversos melhoramentos na sua casa de Sintra, os quais, segundo parece, estavam já concluídos ou muito avançados no ano seguinte. Também mandou edificar, num extremo da propriedade, junto à estrada, um curioso edifício semi-circular que ofereceu a sua mãe (hoje constitui um imóvel distinto que é conhecido por «Casa Italiana»). Mais tarde, concretamente em 1870, fez erguer na esplanada que rodeia a mansão, um significativo monumento à Fé, cujo pedestal ostenta uma patriótica inscrição da autoria do próprio Marechal-Duque: O AMOR DE DEUS DO QUAL NASCE O AMOR DA FAMÍLIA, DO QUAL DERIVA O AMOR DA PÁTRIA HE SÓ O QUE PODE ASSEGURAR-NOS A FELICIDADE NA TERRA: NO CÉU, A BEMAVENTURANÇA. O MARECHAL DUQUE DE SALDANHA, 1870 A estrutura do edifício da Quinta do Saldanha desenvolve-se em L. A fachada austera integra-se, de certa forma, no contexto da arquitectura áulica tradicional da região, sobretudo no que respeita ao enfiamento das janelas e à disposição dos telhados. Porém, aqui manifestam-se já alguns sinais do neo-gótico, tão caro aos românticos. Precede a branca fachada, onde se espalham pontiagudas janelas góticas, um pórtico moldado ao jeito medieval, encimado por uma varanda de parapeito condizente. O interior do edifício reflecte a dualidade entre a medievalidade e o «moderno». Assim, ali se destaca o cuidado arranjo dos espaços, sobretudo a nível dos frescos que cobrem as paredes das principais salas, cuja temática é de nítida inspiração medieval, ou ainda clássica, mas onde se evidenciam características ambientais românticas. A capela integra-se no corpo nascente do edifício e detém idêntica sobriedade, salientando-se apenas a existência, na fachada principal, de um magnífico pórtico manuelino original, o qual provém do Convento da Penha Longa.
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