Conta a lenda que dois irmãos disputavam os amores da mesma moça sem o saberem. Um dia, talvez desconfiado de que a sua amada tinha outro, um deles resolveu vigiá-la durante a noite. Inevitavelmente, apareceu o irmão, embuçado num capote. Ruido de ciíme, e não sabendo quem era o rival, apunhalou-o até à morte. Mas ao descobrir-lhe o rosto inerte, reconheceu o rosto fraterno e, de imediato, cravou o punhal em si próprio. Diz o povo que foram sepultados juntos, porque o túmulo apresenta duas cabeceiras com uma cruz templária increstada. O facto é que, no reinado de D. Miguel, o túmulo foi aberto por ordem real e só se encontraram ossadas de um indivíduo. Muitas são as conjecturas à volta da identidade do sepultado, mas nenhuma delas é concluziva. A tese mais propalada é aquela que afirma estar aí enterrado D. Luís Coutinho, Bispo de Viseu, de Coimbra e de Lisboa, e que teria falecido de lepraem Sintra, na Gafaria. Contudo, não é, sequer, claro que D. Luís Coutinho tenha morrido por estas paragens.
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