(Castelo dos Mouros incluíndo as ruínas da antiga Capela de São Pedro de Canaferrim e o Povoado da Idade do Bronze):
Acerca das origens do denominado Castelo dos Mouros - construído num rochoso pico da agreste serrania, sobranceiro à Vila de Sintra - pouco se sabe. Porém, alguns autores remontam a sua fundação ao período visigótico, se bem que as primeiras provas documentais se reportem já à época de plena ocupação muçulmana. Todavia, será lícito concluir que a edificação do Castelo se tenha verificado anteriormente, talvez durante o século VIII. Em 1103, D. Afonso VI, Rei de Leão, tomou Sintra aos muçulmanos. Dezasseis anos volvidos, Sigurd, príncipe norueguês, saqueou o Castelo dos Mouros, que os sarracenos entretanto haviam recuperado. Também, por essa altura e por breve tempo, o Conde D. Henrique o possuiu. No entanto, em 1147, após a conquista de Lisboa levada a cabo por D. Afonso Henriques, o Castelo entregou-se voluntária e definitivamente aos cristãos. D. Afonso Henriques confiou então a guarda da fortaleza a trinta «povoadores», que não eram mais do que uma mera guarnição, aos quais foram concedidos privilégios através de carta de foral, outorgada pelo próprio Rei em 1154. Foi também para eles que se ergueu, no recinto amuralhado, a primitiva igreja de São Pedro de Canaferrim. No entanto, com o contínuo e firme avanço da Reconquista Cristã para sul, o Castelo dos Mouros foi perdendo a sua importância estratégica. Mais tarde, em inícios da Segunda Dinastia, a consolidação da nacionalidade, a estabilidade social e a reorganização do Reino, conduziram ao abandono total da grande barbacã. Neste contexto, logo nos começos do século XV transferiu-se a paróquia de São Pedro para a nova igreja edificada no termo da Vila. E, nos finais de quatrocentos, apenas habitavam o sítio do Castelo alguns judeus que aí permaneciam, segregados da comunidade, por ordem régia. Contudo, D. Manuel I extinguiu os grupos minoritários e, na sequência dessa actitude, o Castelo dos Mouros despovoou-se por completo. Abandonada, a fortaleza sentiu a implacável passagem do tempo e foi-se arruinando, estado que se agravou com o terramoto de 1755. Mas, no século XIX, D. Fernando II aforou o Castelo e procedeu ao seu restauro integral. De destacar, para além das ruínas da antiga Capela de São Pedro de Canaferrim e o serpenteante conjunto de muralhas e torreões que deslizam ao sabor do relevo, uma cisterna abobadada, também medieval, que se impõe pelas suas dimensões e singularidade arquitectónica.
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