Carlos Sasseti, natural de Sintra e profundamente enamorado pela Vila e sua Serra, explorou sobremaneira a ambiência deste paradisíaco local. A atitude de Sasseti reflectiu-se, sobretudo, nos planos que regeram a execução da casa rodeada pelo exótico parque da Quinta da Amizade, a qual mandou erguer ma primeira metade de oitocentos, como hospedaria, na soalheira encosta do Castelo e sobranceira à Vila. A partir de 1850, a Quinta da Amizade acolheu alguns dos mais notáveis vultos das letras nacionais, nomeadamente Eça de Queirós, Ramalho Ortigão e Alberto Pimentel, que a elegeram como estância predilecta para os seus longos e inspirados veraneios; decerto que sentiram o fascínio do magistral «efeito-surpresa» obtido através do jogo de volumes da própria residência e através do jardim, pleno de contraste de luz e de sombra. A casa surge-nos como uma sucessão de corpos desnivelados, que se estendem a partir de um torreão central; as suas diferentes volumetrias evocam o estilo florentino quatrocentista. Nas fachadas de pedra viva, abrem-se janelas, algumas geminadas e emolduradas por singelos arcos de tijolo. O interior desta mansão oitocentistas mantém-se inalterado, apesar as recentes obras de restauro aí praticadas. A estrutura decorativa sobressai pela originalidade do estilo rústico adoptado. |