Reinava D. Pedro V quando esta propriedade passou para as mãos de Manuel Pinto da Fonseca, rico aventureiro conhecido como o «Monte Cristo», epíteto extraído do célebre romance de Dumas, por ter enriquecido à custa dos escravos. Cerca de 1860, Manuel da Fonceca, na esteira do espírito romântico que em Sintra tinha já revelado a sua feição arquitectónica, nomeadamente através da construção dos singulares e exóticos palácios da Pena e Monserrate, mandou erguer uma nova vivenda na Quinta do Relógio, e que ainda hoje subsiste, em pronunciado estilo arabizante. Nos jardins, embora de dimensões não muito grandes, pode encontrar-se abundante vegetação exótica e lagos cheios de nenúfares. Sob projecto de António Manuel da Fonseca Júnior, o palacete é constituído por um pavilhão central de topo ameado, ao qual se anexam dois corpos mais baixos. Na fachada, destaca-se uma legenda árabe, repetida por três vezes, divisa dos reis mouros de Granada, que diz: «Deus é o único vencedor». Nesta casa passaram a lua-de-mel, em 1886, D. Carlos e D. Amélia, reis de Portugal.
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