18 - Xorca de Ouro e Povoado Calcolítico da Penha Verde: As primeiras recolhas de materiais efectuadas no local remontam ao ano de 1949. Mais tarde, em 1957-58, escava-se e publicam-se os dados relativos ao Povoado da Penha Verde. Identificaram-se as seguintes ocupações: 1 - caracterizada por uma indústria microlaminar epipaleolítica; 2 - Calcolítico Médio, 3 - Calcolítico Final, onde se acolheram as novidades da Idade do Bronze. Para este último contexto foi efectuada uma datação através de Carbono 14, a qual aponta para 1.450 a.C.. Esta última fase é, sem dúvida, a melhor representada. Além disso, as evidentes semelhanças que revela nomeadamente com contextos do Estuário do Sado - sobretudo a nível do Povoado da Rotura -, ilustra bem os contactos internos havidos entre aquela área e o povoado em análise. Situado num cabeço conhecido pelo topónimo Penha Verde, entre o thor granítico, contrastando com o ambiente geológico em que se implanta o povoado, todas as estruturas até agora postas a descoberto encontram-se construídas com lajes de calcário: duas casas de planta circular com corredor, um silo parcialmente escavado na rocha, uma calçada formada por lajes que dá acesso à casa nº 2 e circunda o silo, além de fundos de cabana na base do morro, e troços de muralha que preenchem os intervalos entre os penedos graníticos do cume. Do espólio exumado salientam-se as cerâmicas lisas e decoradas («folha de acácia» e campaniforme), utensílios de osso (espátulas, cabos de instrumento, alfinetes, falange de bovídeo afeiçoada9; sílices (pontas de seta, elementos de foice, lascas, lâminas e núcleos); machados; enxós; mós; contas de pedra verde, ocre; pontas de tipo Palmela, um punção e escórias. Recolhida nas escarpas da Serra de Sintra no século passado, a xorca de ouro da Penha Verde foi publicada em 1895 por José Leite Vasconcellos, investigador que sete anos mais tarde noticia, com certa amargura, a sua venda ao Museu Britânico. Apesar da singularidade desta peça, torna-se possível estabelecer paralelos no NW, tanto a nível do sistema de fecho (torques de Serrazes), como da decoração (torques de Baiões), ambos datáveis do século IX a.C.. A xorca de ouro da Penha Verde constitui o único espólio recolhido num enterramento de inumação então acidentalmente localizado, entre duas bancadas de calcário e coberto com lajes. Trata-se de um torques formado por três arcos de secção circular, unidos nos topos e aderentes em todo o comprimento. As duas extremidades da peça ligam-se entre si através de uma placa canelada, ligeiramente curvilínea e provida de dois encaixes. Junto aos topos registam-se dois conjuntos de campânulas geminadas. A decoração incisa, presente nos três arcos do torques, é formado por quatro conjuntos de barras e triângulos preenchidos. A difícil atribuição cronológica deste adorno maciço resulta, sobretudo, da inexistência de outro espólio típico associado à necrópole. Porém, é quase impossível não o associar aos contextos conhecidos do Bronze Final.
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