Há-de o visitante pensar, naquele bucólico pedaço de serra, que não está vendo um convento, mas sim um amontuado de gongóricos penedos entalados, aqui e ali, um pouco de telhado ou uma velha parede de alvenaria. E ao penetrar no singelo Convento de Santa Cruz da Serra, vulgo Capuchos ou da Cortiça, sentirá a vera austeridade dos monges que ali professaram, a imensa escassez material e, no entanto, vai desejar permanecer ali por algum tempo, interiorizado, apenas falando consigo próprio e com o Absoluto. Depois, só depois, fique o visitante sabendo que aquele cenóbio foi fundado em 1560, por D. Álvaro de Castro, em cumprimento de um voto que fizera seu pai, o grande vice-rei da Índia, D. João de Castro, e entregue à Ordem de São Francisco. D. Filipe I de Portugal, terá dito quando, em 1581, visitou Sintra e, nomeadamente, o Convento dos Capuchos, que possuía em seus reinos as duas jóias mais preciosas: o Mosteiro do Escurial, por muito rico, e os Capuchos por muito pobre. E se acaso subir uma vereda nas traseiras do convento, há-de o visitante encontrar a gruta de Frei Honório, eremita que ali se isolou das coisas terrenas durante trinta anos, segundo reza a tradição, por ter possuido tentações diabólicas ou... simples desejos do eterno feminino. |