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13 - Adega Regional de Colares

Itinerário: Da Charneca Saloia ao Monte da Lua

Descrição

De longínqua tradição, encimando a famosa lista da viticultura nacional, o vinho de Colares contém particularidades únicas, o que o tornaram ao longo dos anos num dos mais apreciados vinhos do mundo. A sua famosa casta Ramisco, cuja vinha é abacelada em terrenos arenosos do litoral e sujeita ao micro-clima existente na região sintrense, produz um vinho de bouquet magnífico, cheio de delicadeza, sabor e perfume agradável, e com pequena percentagem de álcool. Embora não se saiba qual a data dos primeiros plantios, a vinha de Colares deve remontar à Antiguidade Clássica. No Foral de Sintra de 1154, a vinha é já mencionada. E D. Afonso III, na doação que fez do Reguengo de Colares  a Pedro Miguel e sua mulher, Maria Estevão, em 1255, foi com a obrigação de plantar vinhas. No Livro de Colheitas de D. Afonso IV, pode verificar-se que a produção de vinho era, à época, de três modios em Sintra e mais três nos arrabaldes. D. Manuel, que atribuiu Foral a Colares em 10 de Novembro de 1516, aumentou os privilégios que gozavam os agricultores da região, o que deu novo impulso à vinha. Nos documentos comprovativos do aviamento e carregação das naus que se destinavam à Índia, se nota que o vinho de Colares era um dos  preferidos. Por esta altura, na Crónica do Imperador Clarimundo (1520), João de Barros faz larga referência aos frutos do vale do Rio das Maçãs e, nomeadamente, ao vinho de Colares. Estes elementos apenas corroboram a tradicional afirmação de que, desde o século XIII, tem carta de nobreza o afamado Ramisco de Colares. Em 1865, as vinhas do país foram, em grande parte, devastadas pela filoxera. Mas as vinhas de Colares ficaram incólumes, para o que muito contribuiram as condições dos terrenos arenosos, em que o terrível insecto não conseguiu penetrar.
A grande  procura do vinho de Colares levou a que, sobretudo nos finais do século passado, alguns produtores adulterassem o precioso néctar. Assim, importava regulamentar e fiscalizar a genuinidade vinícola. Constitui-se, então, na década de vinte deste século, o Sindicato dos Agricultores de Colares e, em 1931, surge a Adega Regional de Colares, num processo associativo que ainda hoje subsiste.  Em  rápido decréscimo de produção, o Ramisco de Colares corre sérios riscos de desaparecer, sobretudo por ser bastante dispendiosa a sua cultura e necessitar de mão-de-obra especializada. Contudo, a Adega Regional de Colares, como guardiã daquele que foi o primeiro vinho de mesa de Portugal, ainda luta com vista a preservar este património local.
 


Adega Regional de Colares
Adega Regional de Colares